MUITAS VEZES…!!!
Às vezes,
o colo que pedimos ao mundo
é apenas o desejo de voltar
aquele lugar onde fomos amados
onde fomos felizes sem saber.
Mas o mundo nem sempre ouve,
nem sempre chega,
nem sempre fica.
Então, no silêncio mais fundo,
aprendemos a tocar-nos com compaixão,
como quem encontra, enfim,
o caminho de regresso ao próprio peito.
Ser o nosso próprio colo
é acender uma luz
na casa onde já não morava ninguém.
É dizer à dor:
“podes ficar, eu já não fujo.”
É sussurrar à criança perdida:
“não estás só, eu volto por ti.”
E há uma poesia que nasce nesse gesto,
quando nos abraçamos com a ternura
que sempre sonhámos receber.
Uma
poesia sem rima,
sem palco,
sem promessas,
mas com a
beleza imensa
de quem, enfim, aprendeu
a ser abrigo dentro
de si.
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