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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

UM BELO E FELIZ NATAL!

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UM BELO E FELIZ NATAL!

Estava um frio de rachar! A neve gelara nas quelhas junto aos muros. Não chovia e o céu estava azul sem qualquer mancha ou névoa branca. O vento amainara, mas sentia-se uma aragem gélida a beijar-nos o rosto.
Ainda ardiam os últimos madeiros no adro da igreja. Esgueiravam-se de lá, algumas crianças de caldeirinho na mão, cheio de brasas ardentes, que levavam para casa.
Já havia muitos lares em que o convívio de Natal não passava da Missa do Galo e de umas filhós para os catraios feitas no dia de consoada. Os pais tinham ido à procura de novas oportunidades para França e não era justo haver grande festa se eles por lá estavam sozinhos e sem o aconchego da família.
O Tino não se conformava. Toda a noite correra até à chaminé, onde deixara as botas bem limpas e engraxadas, como lhe havia ensinado o senhor sargento da guarda fiscal, e nada... nem uma laranjinha, uma bola, um par de meias... nada, nadinha. Como é que Jesus tinha deixado abalar o pai e ainda por cima, não lhe dava um brinquedo sequer. Ele portava-se sempre bem, como diziam todas as pessoas que o conheciam lá na aldeia.
Ao fundo da rua surgiu o vulto de uma senhora vestida de negro, lenço e xale pela cabeça. Era a sua avó Emília que lhe bradava:
_ Óh! Tino!, Então não foste ver a chaminé?
_ Fui, fui... mas o Menino Jesus nem por lá passou...
_¬ Olha que não!, como os teus sapatos já te estão muito apertados eu " merquei" umas chancas em Navas Frias e pu-las na chaminé ao pé das do teu primo Lau. E parece-me que Ele te pôs lá umas "meiotas" de algodão e uma coisa qualquer...
O Tino não correu, voou mais rápido que um pássaro. Não tardou com uma enorme trapeira forrada a retalhinhos coloridos, tal e qual como a molídia da sua irmã Josefa.
Os olhos brilhavam como cristais, a boca abria o sorriso mais lindo que lhe vira até então...
E a avó Emília achou que o neto era o seu Menino Jesus a quem ela presenteava com o seu amor e arte das suas mãos.

Georgina Ferro


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O PRIMEIRO DIA DO ANO!

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O PRIMEIRO DIA DO ANO!

Tinha nevado dias a fio. A altura da neve era mais alta que as minhas pernitas. O frio fazia-me tiritar e bater o dente. Todos temiam que o telhado não aguentasse o peso.
Atrás da janela alongava o olhar para a serra da Xalma que parecia uma montanha branquinha ou uma enorme nuvem branca poisada no chão a dormir.
O céu já estava de um azul imaculado. E o sol doirava tudo mas, como se tivesse perdido o calor, para ter tanta luz.
Ouvia os adultos em cuidados com o gado, com as gripes, com as pessoas mais idosas... O senhor Padre Baptista certamente não ia vir celebrar Missa, pois andava adoentado e a égua que o costumava trazer não iria aguentar a caminhada entre a neve tão alta! Meu tio queixou-se que a lenha acautelada na “loje” já era pouca e era preciso ir resguardar mais uns toros. A minha tia pediu-lhe que se agasalhasse bem para ir ao curral. A vaca mugia e, antes de ir apanhar mais umas cepas, meu tio desenfaixou um molho de palha para lhe aquecer a cama e colocou uma braçada de feno na manjedoura.
Eu continuava atrás da janela olhando a brancura dos telhados, dos caminhos, dos lameiros. Não se via vivalma, nem um achancar de botas ou um animal furtivo. Ouvia-se o uivar de alguns cães mas não se avistavam.
De repente, vi um pontinho negro que se aproximava lento, lento... e ia crescendo devagarinho. Que seria aquilo?!
_ Tia, tia... venha ver o que lá vem. _ gritei abismada.
_ Ai Mãe, querem lá ver! É o Senhor Padre! A pobre égua até bate com a barriga na neve!
Ouviu-se, quase de imediato, o toque da chamada para a Santa Missa. E, se o Sacerdote viera de Aldeia Velha com aquele temporal, como poderiam faltar os paroquianos à Missa, naquele Dia Santo?! Correram a pôr as samarras e os xales de lã e não tardou a neve ficar cheia de buraquinhos ao ser calcada pelas muitas botas negras de borracha...

Georgina Ferro
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À ESPERA...!

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À ESPERA...!!!

A Rosa chegara da eira bem cedinho
Pois vieram os saltimbancos à aldeia
Embora não gostasse de ver a capeia
Não faltava ao circo ou a um bailinho

Foi encher o cântaro num afogadilho
Varreu a casa, preparou a chaminé
Puxou o lume sob a panela tripé
Que mantivera com os carolos do milho

Deitou água na bacia do lavatório
Endireitou bem o espelho para ela
Abriu o sorriso ao ver a imagem dela
Ter cara alegre era mesmo obrigatório

Destrançou o seu cabelo cor de carvão
Encharcou o pente de osso na bacia
E alisou com ele o melhor que podia
As madeixas que ia amparando na mão

Depois traçou o risco muito direitinho
Dividindo metade para cada lado
Que deixou primorosamente entrançado
Com um ágil e habilidoso jeitinho

E, como qualquer moça ainda solteira
Formou um arco com as tranças, no ciminho,
Que fixou com duas ganchas e um ganchinho
Fez as ondas, à frente, à sua maneira

Enfeitou-as com duas travessas castanhas
Com pedrinhas, tais diamantes a brilhar,
Ainda, se foi a mirar e remirar
Mas fazia umas caretas tão estranhas!

Enfiou o vestido novo aos godés
Tinha um tom amarelo, muito clarinho,
Apertou-lhe o fecho lá atrás com jeitinho
E calçou os tamanquinhos novos nos pés

Agarrou o lenço que estava guardado
Passou-o sobre os ombros com galhardia
Lia-se -lhe no rosto tamanha alegria
Sabia que ia conquistar namorado!...

Georgina Ferro
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AS VINDIMAS

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AS VINDIMAS!

Que até ao lavar dos cestos é vindima
Dizem as pessoas por aí, à voz cheia
Verdade, verdade... é que se subestima
O alambique em festa lá na aldeia
Vides enfeixadas "arrimadas" ao canto
O alambique lavado e "relavado"
À espera que se acenda, entretanto,
Lume capaz, sem chama em demasiado
O frio já aperta fora do telheiro
Samarra ou capote vem mesmo a calhar
Uma lasca de bacalhau sobre o braseiro
Naco de pão e copito a acompanhar
Chegam os pais e mais um ou outro amigo
Trazem o realejo e a concertina
Enquanto lenta pinga, pinga... por castigo!
A desgarrada alegra a noite menina
Vêm as cachopas ao cimo do balcão
E depressa tem despique, a cantoria
Trazem com elas mais um jarro e mais pão
Nas suas vozes cantigas de alegria
O alambique, lá pinga devagarinho
Distrai-se, talvez, com o rodopio alegre
Ou com o lume esquecido e tão baixinho
E para suar, precisa de ter mais febre!
Lá vem outro feixe de vides bem "augado"
Para reanimar o calor da fogueira
Já se joga a sueca e canta-se o fado
Para aguentar o ping...ping...a noite inteira

Compartilhado de Georgina Ferro


A LENDA DA SERRA DA ESTRELA


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A LENDA DA SERRA DA ESTRELA.


Contava a lenda que havia um rei ao qual chegou a notícia de que todas as noites um pastor do alto da serra conversava com uma estrela.
O rei mandou logo chamar o pastor e ordenou-lhe que lhe desse a sua estrela, prometendo em troca dar-lhe muitas riquezas e muitos dos seus bens.
O pastor não aceitou, pois preferia ser pobre do que perder a sua estrela.
Ao voltar à sua pobre cabana no alto da serra, o pastor ouviu uma doce melodia que era a sua estrela a cantar.
Ela estava com receio de que o pastor se deixasse levar pela ambição da riqueza.
O pastor ficou todo contente e a estrela prometeu que sempre seria sua amiga.
Então o velho pastor exclamou:
– De hoje em diante, esta serra há-de chamar-se Serra da Estrela.
Conta a lenda que no alto da serra ainda hoje se vê uma estrela que brilha de maneira diferente das outras estrelas, como que à procura do bom e velho pastor amigo.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

QUER SER FELIZ?

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QUER SER FELIZ?

Então, busque o Autoconhecimento, valorize a si mesmo e demonstre isso respeitando o próximo.
Depois, fuja das "agendas estabelecidas pela sociedade". O que isso quer dizer?
As pessoas gostam de estabelecer agendas e prazos "corretos" para se fazer certas coisas, tipo: Agora você tem que estudar e se formar; Agora você tem que se casar; agora você precisa ter filhos? Agora você precisa se aposentar? Agora você está velho demais e precisa descansar; Hah ele morreu, mas já estava velhinho mesmo e por aí vai.
Sinceramente, que tipo de pessoas pensam em coisas tão loucas assim e ainda batem no peito dizendo que é o ritmo "normal, da vida? Normalmente quem assim o faz, apenas existe e existir é muito diferente de Viver.
Sabe porque as pessoas gostam de estabelecer ritmos "corretos" para outras pessoas? Para esconder a terrível incerteza que tem sobre, praticamente, tudo e dai surge a necessidade de se apegar a supostas seguranças que num simples estralar de dedos podem desaparecer de uma hora para outra e lá se foram todas as certezas, seguranças, planos, programações, estratégias e ritmos corretos.
Faça o que você quiser, quando você quiser e da maneira que você quiser, mas acima de tudo lembre-se: Jamais faça o que não te faz Feliz; jamais faça algo para atender as conveniências e certezas alheias, até mesmo porque as pessoas que gostam de impor essas certezas, de uma hora para outra podem desaparecer das suas vidas, pelos mais insuspeitados motivos.
O melhor ritmo de Vida é aquele que você estabelece para si mesmo, baseado em Autoconhecimento. Simplesmente siga seu ritmo e não o tome como a verdade suprema do Universo, tentando impor o mesmo a outras pessoas, da mesma forma que não quer que te imponham condição alguma.
Cuide da sua Vida e orgulhe-se muito da mesma, não importando seu estilo: Você o vive para si mesmo e não para provar nada para ninguém.
Certo é o que você sabe, faz e desenvolve para si mesmo; errado é tudo aquilo que você faz e crê que o outro deve fazer igual, simplesmente porque você acredita nisso.
A beleza dessa Vida é que nesse Universo não existe uma pessoa igual a outra. Todas são únicas, originais e exclusivas e todas experiências são válidas e devem ser respeitadas. Simples assim. - A.G.

A VERDADEIRA HUMILDADE!



A VERDADEIRA HUMILDADE!
Sabemos que é necessário respeitar e amar aquela faísca da Divindade – o “Eu Superior” que reside dentro de todos nós –, mas não podemos esquecer de que, como místicos aspirantes, cabe a nós ter sentimentos semelhantes também pelo eu profundo dos outros. E isso deve acontecer independentemente do comportamento externo distorcido que as pessoas possam algumas vezes apresentar. Algumas pessoas – tenho certeza de que todos podemos citar alguns nomes – irradiam amor e contentamento. São seguras de si e felizes e refletem sua santidade interna aceitando totalmente os outros da forma como são, “com espinhas e tudo”. Nos referimos a essas pessoas como sendo humildes.
No nosso dia-a-dia descobrimos que, ao explorarmos o eu, o pensamento, o ser emocional, somos levados a fazer ajustes necessários de todo o tipo. Quanto mais nos conscientizamos do nosso eu, de nossa vida e de nossos sentimentos, mais percebemos os atributos dos outros e os nossos próprios atributos.
Descoberta
Precisamos cultivar nossa consciência de ser e provar que somos dignos do caminho da descoberta interna que escolhemos trilhar. A regra de ouro diz: “Amar o próximo como a si mesmo”. O problema é que a maioria das pessoas não ama a si mesma. À medida que sondamos cada vez mais profunda­mente nossa consciência interna e vamos tendo a necessidade de entrar em contato com aquelas características que realmente nos representam, percebemos a natureza maravilhosa da personalidade.
O fato é que muitos de nós quase não conhecem o seu eu profundo, um aspecto humano mais amplo conhecido pelo místico como a Personalidade-Alma. Essa descoberta em como resultado de uma introspecção profunda e muitas vezes dolorosa. À medida que começamos a elucidar nossa própria natureza verdadeiramente complexa, precisamos evitar criticar aquilo que encontramos. Em vez de enfatizarmos as deficiências que descobrimos, deveríamos concentrar nossa atenção nas qualidades de que gostamos. Quando reforçamos esses pontos, o bem começa a sobrepujar os aspectos problemáticos. Em outras palavras, podemos eliminar o indesejável dando ênfase àquelas coisas que queremos conservar. Essa é a forma mística de transmutar.
 Ser Humilde
Há dois tipos de humildade, e todos nós temos nosso exemplo predileto de um conhecido que acreditamos de fato representar o significado dessa palavra. É provavelmente uma pessoa que, de alguma forma, relegou coisas importantes em sua vida a uma posição inferior. Talvez seja alguém bem sucedido – sem ser agressivo ou dominador – ao mesmo tempo em que se mantém cortês, afável e atencioso com os outros. Ou talvez seja alguém que possa ser descrito como “autoconsciente” em vez de “centrado em si mesmo”.
Muitos de nós nos preocupamos com a ideia de termos que ser humildes; o que parece uma meta louvável. Mas o que é ser humilde? Quando descobrimos o cerne ilusório da verdade, então podemos aprender sua natu­reza; em outras palavras, não ten­tan­do ser humildes, pois uma humildade que se intitula dessa forma pode ser irritante na sua falsidade. Que as pessoas geralmente não têm humildade é evidente, pois elas têm uma tendência a se menosprezarem. Alguns exemplos disso são os indivíduos partidários da autocensura; ou aqueles que adotam uma atitude bajuladora; ou aqueles que agem da forma mais submissa do que o necessário. São poucos. Essas pessoas merecem ser pacientemente compreendidas, pois desco­nhecem a razão de seu próprio comporta­mento, razão essa que está escondida no seu subconsciente.
Quando mais tentamos ter humildade, menos conseguimos tê-la. O esforço para manter o pensamento que diz que você é humilde quase nega a possibilidade de que seja humilde. As marcas da humildade são a modéstia e uma forma de despretensão. Trata-se de uma coisa bem sutil, pois não representamos essas características em nossas ações. O que chamamos de verdadeira humildade é, na realidade, uma aceitação inconsciente de si mesmo. O indivíduo humilde não é submisso nem bajulador, e nem lhe falta ambição.
Se fôssemos criar algumas palavras-chave que descrevessem com palavras comuns o estado de humildade, essas poderiam ser: imparcialidade, consideração, generosidade, autoconhecimento e assim por diante – todos em sua versão plus. Mas palavras-chave negativas também surgiriam como: arrogância, mediocridade, egocentrismo, baixa auto-estima, humilhação e outras parecidas. Aqueles que fazem pontos no lado positivo eliminaram a dependência egocêntrica do auto-engrandecimento e da abnegação excessiva, e atingiram um meio-termo feliz que pode ser chamado de ‘humildade’.
Lembre-se sempre e cite sempre o fato de que somos todos seres maravilhosos, uma combinação de corpo com sentidos e sensações ligados a um Ser interno cheio de entusiasmo. Esse ser interno que nos ouviu nos menosprezando por tanto tempo, agora precisa ouvir como somos maravilhosos. Se seguíssemos essa linha de comportamento diariamente, perceberíamos mudanças acontecendo conosco, mudanças essas que nos levariam gradativamente à plenitude da vida e a um crescimento inconsciente na humildade.