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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

LENDA DE NOSSA SENHORA DO CAIS- SETÚBAL.


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LENDA DE NOSSA SENHORA DO CAIS - SETÚBAL

Narra em velhos documentos que o nobre fidalgo D. Manuel Vaz de Castro tinha como esposa a mais bela mulher de Setúbal. Chamava-se Ester e, como o seu nome indica, era de ascendência judaica. De Ester, vivia enamorado — estranhamente, loucamente enamorado! — um pobre pescador chamado Valentim de Jesus.
Em noites claras de luar, Valentim saía no seu barquinho e vogava diante do palácio, em cuja varanda luzia a formosura de Ester.
Ah! Mas esta paixão podia sair bem cara a Valentim! Por isso mesmo, o Tio Augusto, seu velho pai, de rosto cortado pelos sóis e pelas vagas, mais de uma vez o quis desviar do caminho da tentação. Dizia-lhe, apreensivo:
— Rapaz, ouve o que te digo! Não olhes para tão alto... És capaz de cegar! Tens as raparigas da tua laia que ainda não casaram! Qualquer delas daria a vida por ti.
Valentim baixava a cabeça e respondia com humildade:
— Pai, eu sei que tem razão! Eu próprio muitas vezes me censuro e condeno. Mas de que me serve a razão? Já não posso arrancar dos olhos a imagem dela!
— Pois toma cuidado, meu filho, senão arrancam-te os olhos a ti! D. Manuel é forte e poderoso, como sabes... Basta uma palavra dele...
O rapaz olhava o pai, e não só os seus olhos reflectiam tristeza. As suas palavras eram um verdadeiro rosário de amarguras:
— Pai, perdoe-me! Mas para mim basta-me uma palavra dela!
Assustado, o pai tentava impor a sua autoridade.
— Filho, pensa no que dizes! Essa mulher enlouqueceu-te! Será capaz de te matar!
E Valentim respondia invariavelmente:
— Que importa? Eu serei capaz de morrer por ela!
Os tempos passaram. Cada vez mais forte, a paixão doida foi inundando o coração de Valentim. O amor deu-lhe ousadia. Ester sorria-lhe de longe, e esse sorriso incitava-o. Talvez por isso, numa noite serena, vendo Ester debruçada na sua grande varanda, atreveu-se a subir até ela. A mulher recuou assustada. Mas Valentim depressa a sossegou:
— Senhora, perdoai-me! Mas o fogo que arde em mim não me deixa calar por mais tempo.
Na sua voz doce, ela inquiriu:
— E que ides dizer?
Valentim aproximou-se dela. A brisa que corria leve acariciava-lhe o rosto e as mãos. Ester fez um gesto a detê-lo. Os seus olhos estavam presos aos dele. E como Valentim se preparasse para responder-lhe, ela apressou-se a falar:
— Já sei o que ides dizer! Já sei! Eu vejo-vos todos os dias o mesmo olhar, a mesma esperança… Pobre jovem! Bem cruel é o vosso destino!
— Cruel, porquê, senhora, se vos oiço… se vos vejo… se vos sinto tão perto de mim?...
Ela baixou a voz.
— Precisamente por isso… porque pecais pensando em mim... e porque me obrigais a pecar, pensando em vós. Ide! Fugi enquanto é tempo... Ai, se o meu marido vos descobre!... Sois novo e a vida é tão bela! Procurai outra mulher… Esquecei-me!
Ele sussurrou-lhe:
— Impossível!
— Porquê? Fugi para bem longe!
— É como se me ordenásseis — ficai! — Como poderei fugir e procurar outra, se o meu coração pesa demais para o fazer? Pesa tanto, que tenho a impressão de que não mais sairei daqui!...
O moço Valentim tinha razão nos seus pressentimentos. Ouvindo vozes na varanda, D. Manuel Vaz de Castro apareceu de súbito, gritando:
— Quem és tu, vilão?
Valentim perfilou-se na sua frente.
— Um homem, senhor fidalgo. Sou apenas um homem.
— Pois não o serás mais!
E ajuntando o gesto à palavra, o fidalgo ergueu a espada e embebeu-a no corpo de Valentim, gritando ainda:
— Toma, vilão! É assim que eu falo com os da tua laia!
O corpo de Valentim caiu, banhado em sangue. Ester, com o desespero no coração, gritava alucinada:
— Senhor! Piedade! Piedade!
Mas o fidalgo, voltando-lhe as costas, respondeu-lhe com serenidade aparente:
— Calai-vos! Que eu não vos oiça... para ignorar que estais aqui! Quanto a este vilão, vou atirá-lo ao mar. Que as ondas o levem para bem longe!
Ester levou as mãos ao rosto para não ver o corpo ensanguentado e já sem vida de Valentim. Um choro convulsivo sacudiu-a. E um baque surdo nas águas tranquilas repercutiu-se no seu coração...

Sempre caprichosas, as ondas não levaram para longe o corpo de Valentim. Na manhã seguinte, quando o Tio Augusto saiu de casa e desceu à praia, os seus olhos quedaram-se atónitos, fitando aquele corpo inanimado.
Correu para ele. Afagou-lhe os cabelos empastados, chorando e falando ao mesmo tempo.
— Meu filho! Meu Valentim! Não me quiseste ouvir… não quiseste ouvir a razão! Meu pobre filho! Que a maldição caia sobre os que te mataram!

Isto é o que conta a História. Porém, a Lenda acrescenta que Ester, transtornada por quanto se passara na sua frente, abandonou a casa do marido e recolheu a um convento, entregando-se a uma vida exemplar de sacrifício e devoção. E o caso foi esmorecendo no rancor do povo. Todavia, um homem continuava a não lhe perdoar: Augusto, o pai de Valentim. Quando vinham contar-lhe algum acto de grande caridade praticado por Ester e louvavam a sua conduta, ele exclamava furioso:
— Não me venham dizer que essa mulher é santa! É a criatura mais falsa que eu conheço!... Foi ela a única culpada da morte do meu Valentim!
Ora, esta opinião do velho Augusto chegou aos ouvidos de Ester. E logo ela enviou alguém a suplicar-lhe que viesse falar com ela ao convento.

Assediado, ele acedeu de má vontade. Mal o viu, Ester deixou correr livremente o pranto que a oprimia. Depois falou-lhe, cheia de humildade:
— Sei a razão do vosso ódio. Reconheço que, em parte, fui culpada da morte do vosso filho. Eu nunca deveria ter alimentado a esperança no coração desse belo moço. O meu arrependimento é sincero. Apoquenta-me o remorso. E peço a Deus que me atormente com os castigos que mereço! A morte de Valentim foi o começo do meu calvário!
A voz extinguiu-se-lhe no peito. A comoção sufocava-a. Porém o velho, com a chaga do desespero cada vez mais viva, gritou colérico:
— Impostora! Nem um milagre ouvis bem? — nem um milagre me faria mudar de opinião a vosso respeito! Sois a mais miserável das criaturas!
Ela mordeu os lábios, curvou a cabeça e murmurou apenas:
— Que se cumpra em mim a Soberana Vontade do Senhor!
Em silêncio, o velho retirou-se. E a pobre monja recolheu-se também — mais humilde, mais abatida, mais distante daquela mulher bela e airosa que Valentim descobrira certo dia.

Conta ainda a lenda que, não muito tempo depois da conversa do Tio Augusto com a monja do convento, o tal milagre em que ele falara deu-se na verdade!
Ali, no cais de Setúbal, havia uma imagem de Nossa Senhora, adorada pelos pescadores. Certa vez, no turbilhão das lutas, atiraram essa imagem ao mar. Um pescador velho mas corajoso atreveu-se a ir buscá-la debaixo das balas. Era o Tio Augusto. Mas quando chegou a terra e os outros o rodearam, parecia aparvalhado, olhando a imagem de Nossa Senhora. Como lhe perguntassem o que se passava, ele, no auge da excitação gritou-lhes:
— Vejam! Estão a ver? É a Nossa Senhora... mas com a cara da outra… daquela que matou o meu filho! Afinal… deu-se o milagre! Ela deve falar verdade! Deve ser hoje uma pessoa de bem! Bendito seja o nome de Deus!
Em coro os outros responderam:
— Ámen!
Tomado dum repentino ataque de choro, o velho lobo do mar, que afrontara as ondas e afrontara as balas, caiu de joelhos, beijando a imagem da Senhora do Cais!
E desde esse tempo, na tradição lendária, a imagem de Nossa Senhora do Cais que ainda hoje existe em Setúbal — num novo nicho e sempre adorada pelos pescadores — tem o rosto daquela que se pusera ao serviço de Deus para apagar o pecado de ter consentido, sendo esposa dum poderoso fidalgo, no amor dum pobre homem do mar.

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LENDAS DAS CAMARINHAS!

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LENDA DAS CAMARINHAS
A camarinha (Corema album) ou camarinheira é um arbusto da família das Empetraceae, endémico em Portugal. Nasce espontaneamente em sistemas dunares ou em matas baixas dos pinheirais da costa atlântica. Produz frutos comestíveis de sabor agridoce e de aspecto leitoso e brilhante como as pérolas (as camarinhas), e delas se confeccionam geleia e compota. A sua rama liberta um cheiro semelhante ao mel.
Trata-se de um arbusto que poderia ser adaptado como ornamental; no entanto é muito pouco observado sem ser no seu estado natural.
Também a Lenda das Camarinhas (tal como a do milagre das rosas e muitas outras) tem como protagonista a Rainha Santa Isabel.
Esta mulher, que toda a vida foi compreensão e amor, não era feliz. É sabido da História que el-rei D. Dinis cedo a trocou por várias outras mulheres, de quem tinha filhos que trazia para a corte e que ela própria criou como se fossem seus. Quase esquecida pelo marido, diz a lenda que, no seu desespero, a Rainha, informada pelas aias das "andanças" do esposo, o procurava pelo Pinhal do Rei, montada no seu cavalo. Assim explica o povo a origem das camarinhas.
As Camarinhas
Dizem que Santa Isabel,
Rainha de Portugal,
Montando branco corcel,
Percorria o seu pinhal!
-“Ai do meu Esposo! Dizei!
Dizei-me, robles* reais!
Meu Dinis! Senhor meu Rei!
Em que braços suspirais?!...
Os robles silenciosos
Do vasto Pinhal do Rei
Responderam receosos
– Não sei!...
E o pranto da Rainha
Nas suas faces rolava,
Regando a erva daninha
No pobre chão que pisava!
– “ Ó meu Pinhal sonhador
Que o meu Rei semeou!
Dizei-me do meu Amor
E se por aqui passou...”
Os robles silenciosos
Do vasto Pinhal do Rei
Responderam receosos:
– Não sei !...
Mas cristalizou-se o pranto
Em muitas bagas branquinhas
E transformou-se num manto
De brilhantes camarinhas!...
Eis que repara a Rainha
Numa casa iluminada...
– “ Quem vela nesta casinha
Numa hora adiantada ?!...”
Os robles silenciosos,
Tão tristes que nem eu sei,
Responderam receosos:
– O Rei!...
* robles = nome popular por
que também são conhecidos
os carvalhos comuns.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

UM BELO E FELIZ NATAL!

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UM BELO E FELIZ NATAL!

Estava um frio de rachar! A neve gelara nas quelhas junto aos muros. Não chovia e o céu estava azul sem qualquer mancha ou névoa branca. O vento amainara, mas sentia-se uma aragem gélida a beijar-nos o rosto.
Ainda ardiam os últimos madeiros no adro da igreja. Esgueiravam-se de lá, algumas crianças de caldeirinho na mão, cheio de brasas ardentes, que levavam para casa.
Já havia muitos lares em que o convívio de Natal não passava da Missa do Galo e de umas filhós para os catraios feitas no dia de consoada. Os pais tinham ido à procura de novas oportunidades para França e não era justo haver grande festa se eles por lá estavam sozinhos e sem o aconchego da família.
O Tino não se conformava. Toda a noite correra até à chaminé, onde deixara as botas bem limpas e engraxadas, como lhe havia ensinado o senhor sargento da guarda fiscal, e nada... nem uma laranjinha, uma bola, um par de meias... nada, nadinha. Como é que Jesus tinha deixado abalar o pai e ainda por cima, não lhe dava um brinquedo sequer. Ele portava-se sempre bem, como diziam todas as pessoas que o conheciam lá na aldeia.
Ao fundo da rua surgiu o vulto de uma senhora vestida de negro, lenço e xale pela cabeça. Era a sua avó Emília que lhe bradava:
_ Óh! Tino!, Então não foste ver a chaminé?
_ Fui, fui... mas o Menino Jesus nem por lá passou...
_¬ Olha que não!, como os teus sapatos já te estão muito apertados eu " merquei" umas chancas em Navas Frias e pu-las na chaminé ao pé das do teu primo Lau. E parece-me que Ele te pôs lá umas "meiotas" de algodão e uma coisa qualquer...
O Tino não correu, voou mais rápido que um pássaro. Não tardou com uma enorme trapeira forrada a retalhinhos coloridos, tal e qual como a molídia da sua irmã Josefa.
Os olhos brilhavam como cristais, a boca abria o sorriso mais lindo que lhe vira até então...
E a avó Emília achou que o neto era o seu Menino Jesus a quem ela presenteava com o seu amor e arte das suas mãos.

Georgina Ferro


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O PRIMEIRO DIA DO ANO!

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O PRIMEIRO DIA DO ANO!

Tinha nevado dias a fio. A altura da neve era mais alta que as minhas pernitas. O frio fazia-me tiritar e bater o dente. Todos temiam que o telhado não aguentasse o peso.
Atrás da janela alongava o olhar para a serra da Xalma que parecia uma montanha branquinha ou uma enorme nuvem branca poisada no chão a dormir.
O céu já estava de um azul imaculado. E o sol doirava tudo mas, como se tivesse perdido o calor, para ter tanta luz.
Ouvia os adultos em cuidados com o gado, com as gripes, com as pessoas mais idosas... O senhor Padre Baptista certamente não ia vir celebrar Missa, pois andava adoentado e a égua que o costumava trazer não iria aguentar a caminhada entre a neve tão alta! Meu tio queixou-se que a lenha acautelada na “loje” já era pouca e era preciso ir resguardar mais uns toros. A minha tia pediu-lhe que se agasalhasse bem para ir ao curral. A vaca mugia e, antes de ir apanhar mais umas cepas, meu tio desenfaixou um molho de palha para lhe aquecer a cama e colocou uma braçada de feno na manjedoura.
Eu continuava atrás da janela olhando a brancura dos telhados, dos caminhos, dos lameiros. Não se via vivalma, nem um achancar de botas ou um animal furtivo. Ouvia-se o uivar de alguns cães mas não se avistavam.
De repente, vi um pontinho negro que se aproximava lento, lento... e ia crescendo devagarinho. Que seria aquilo?!
_ Tia, tia... venha ver o que lá vem. _ gritei abismada.
_ Ai Mãe, querem lá ver! É o Senhor Padre! A pobre égua até bate com a barriga na neve!
Ouviu-se, quase de imediato, o toque da chamada para a Santa Missa. E, se o Sacerdote viera de Aldeia Velha com aquele temporal, como poderiam faltar os paroquianos à Missa, naquele Dia Santo?! Correram a pôr as samarras e os xales de lã e não tardou a neve ficar cheia de buraquinhos ao ser calcada pelas muitas botas negras de borracha...

Georgina Ferro
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À ESPERA...!

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À ESPERA...!!!

A Rosa chegara da eira bem cedinho
Pois vieram os saltimbancos à aldeia
Embora não gostasse de ver a capeia
Não faltava ao circo ou a um bailinho

Foi encher o cântaro num afogadilho
Varreu a casa, preparou a chaminé
Puxou o lume sob a panela tripé
Que mantivera com os carolos do milho

Deitou água na bacia do lavatório
Endireitou bem o espelho para ela
Abriu o sorriso ao ver a imagem dela
Ter cara alegre era mesmo obrigatório

Destrançou o seu cabelo cor de carvão
Encharcou o pente de osso na bacia
E alisou com ele o melhor que podia
As madeixas que ia amparando na mão

Depois traçou o risco muito direitinho
Dividindo metade para cada lado
Que deixou primorosamente entrançado
Com um ágil e habilidoso jeitinho

E, como qualquer moça ainda solteira
Formou um arco com as tranças, no ciminho,
Que fixou com duas ganchas e um ganchinho
Fez as ondas, à frente, à sua maneira

Enfeitou-as com duas travessas castanhas
Com pedrinhas, tais diamantes a brilhar,
Ainda, se foi a mirar e remirar
Mas fazia umas caretas tão estranhas!

Enfiou o vestido novo aos godés
Tinha um tom amarelo, muito clarinho,
Apertou-lhe o fecho lá atrás com jeitinho
E calçou os tamanquinhos novos nos pés

Agarrou o lenço que estava guardado
Passou-o sobre os ombros com galhardia
Lia-se -lhe no rosto tamanha alegria
Sabia que ia conquistar namorado!...

Georgina Ferro
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AS VINDIMAS

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AS VINDIMAS!

Que até ao lavar dos cestos é vindima
Dizem as pessoas por aí, à voz cheia
Verdade, verdade... é que se subestima
O alambique em festa lá na aldeia
Vides enfeixadas "arrimadas" ao canto
O alambique lavado e "relavado"
À espera que se acenda, entretanto,
Lume capaz, sem chama em demasiado
O frio já aperta fora do telheiro
Samarra ou capote vem mesmo a calhar
Uma lasca de bacalhau sobre o braseiro
Naco de pão e copito a acompanhar
Chegam os pais e mais um ou outro amigo
Trazem o realejo e a concertina
Enquanto lenta pinga, pinga... por castigo!
A desgarrada alegra a noite menina
Vêm as cachopas ao cimo do balcão
E depressa tem despique, a cantoria
Trazem com elas mais um jarro e mais pão
Nas suas vozes cantigas de alegria
O alambique, lá pinga devagarinho
Distrai-se, talvez, com o rodopio alegre
Ou com o lume esquecido e tão baixinho
E para suar, precisa de ter mais febre!
Lá vem outro feixe de vides bem "augado"
Para reanimar o calor da fogueira
Já se joga a sueca e canta-se o fado
Para aguentar o ping...ping...a noite inteira

Compartilhado de Georgina Ferro


A LENDA DA SERRA DA ESTRELA


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A LENDA DA SERRA DA ESTRELA.


Contava a lenda que havia um rei ao qual chegou a notícia de que todas as noites um pastor do alto da serra conversava com uma estrela.
O rei mandou logo chamar o pastor e ordenou-lhe que lhe desse a sua estrela, prometendo em troca dar-lhe muitas riquezas e muitos dos seus bens.
O pastor não aceitou, pois preferia ser pobre do que perder a sua estrela.
Ao voltar à sua pobre cabana no alto da serra, o pastor ouviu uma doce melodia que era a sua estrela a cantar.
Ela estava com receio de que o pastor se deixasse levar pela ambição da riqueza.
O pastor ficou todo contente e a estrela prometeu que sempre seria sua amiga.
Então o velho pastor exclamou:
– De hoje em diante, esta serra há-de chamar-se Serra da Estrela.
Conta a lenda que no alto da serra ainda hoje se vê uma estrela que brilha de maneira diferente das outras estrelas, como que à procura do bom e velho pastor amigo.