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terça-feira, 2 de agosto de 2022

QUAL A MELHOR RELIGIÃO?

 



QUAL A MELHOR RELIGIÃO?

Narra-se que Leonardo Boff, num intervalo de uma conversa de mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, perguntou ao Dalai Lama:

-Santidade, qual a melhor religião?

O teólogo confessa que esperava que ele dissesse:

 -É o budismo tibetano ou são as religiões orientais, muito mais antigas que o Cristianismo.

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, olhou seu inquiridor bem nos olhos, desconcertando-o um pouco, como se soubesse da certa dose de malícia na pergunta, e afirmou:

-A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus. É aquela que te faz melhor.
Para quem sabe sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, Boff voltou a perguntar: -O que me faz melhor?

-Aquilo que te faz mais compassivo; aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável… A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião…

O Dalai Lama foi ao cerne da questão: a religião deve nos ser útil para a vida, como promotora de melhorias em nossa alma.

Não haverá religião mais certa, mais errada, mas sim aquela que é mais adequada para as necessidades deste ou daquele povo, desta ou daquela pessoa.

Se ela estiver promovendo a alma, impulsionando-o à evolução moral e estabelecendo este laço fundamental da criatura com o Criador, independentemente do nome que Este leve ela será uma ótima religião.

Ao contrário, se ela prega o sectarismo, a intolerância e a violência, é óbvio que ainda não cumpre adequadamente sua missão como religião.

O eminente Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, quando analisou esta questão, recebeu a seguinte resposta dos Espíritos de luz:

“Toda crença é respeitável quando sincera, e conduz à prática do bem. As crenças censuráveis são as que conduzem ao mal”.

Dessa forma, fica claro mais uma vez que a religião, por buscar nos aproximar do Grande Arquiteto do Universo, deve, da mesma forma, nos aproximar do bem, e da sua prática cotidiana.

Nenhum ritual, sacrifício, nenhuma prática externa será proveitosa, se não nos fizer melhores.
Deveríamos empreender nossos esforços na vida para nos tornarmos melhores.

Investir em tudo aquilo que nos faz mais compreensivos, mais sensíveis, mais amorosos, mais responsáveis.
A melhor doutrina é a que melhor satisfaz ao coração e à razão, e que mais elementos tem para conduzir o homem ao bem.

[com base em livro de Allan Kardec, em texto de Leonardo Boff e da Redação do Momento Espírita]

Gandhi afirmava que uma vida sem religião é como um barco sem leme.
Certamente todos precisamos de um instrumento que nos dirija.

Assim, procuremos aquela religião que nos fale à alma, que nos console e que nos promova como almas imortais que somos.

Transmitamos às nossas crianças, desde cedo, esta importância de manter contato com o Criador, e de praticar o bem, acima de tudo.

 


OS TRÊS MONGES E O DIABO.

 



OS TRÊS MONGES E O DIABO

O demônio apareceu a três monges e

Disse-lhes:

Se eu lhes desse poder para mudar.

um pouco do passado. O que eles mudariam?

O primeiro deles, com um grande fervor apostólico respondeu:

′′ Impediria que você derrubasse Adão e Eva no pecado para que a humanidade não pudesse se afastar de Deus ".

O segundo, um homem cheio de misericórdia, disse-lhe:

′′ Impediria que você mesmo se afastasse

de Deus e te condenarás eternamente ".

O terceiro deles era o mais simples e, em vez de responder ao tentador, ele se colocou de joelhos, fez o sinal da cruz e orou dizendo:

′′ Senhor, liberte-me da tentação do que pode ser e não foi ".

O diabo, dando um grito estentóreo e se estremecendo de dor se esfumou.

Os outros dois, surpreendidos, disseram-lhe:

′′ Irmão, por que você reagiu assim?".

Ele respondeu :

′′ Primeiro: NUNCA devemos dialogar com o inimigo.

Segundo: NINGUÉM no mundo tem poder para mudar o passado.

Terceiro: o INTERESSE de Satanás não era provar a nossa virtude, mas prender-nos no passado, para que negligenciemos o presente, o único tempo em que Deus nos dá a sua graça e podemos cooperar com ela para cumprir a sua vontade ′′

De todos os demônios, o que mais pega os homens e os impede de serem felizes é o de

′′ o que pôde ser e não foi ".

O passado fica à Misericórdia de Deus e o futuro à sua Providência. Somente o presente está em nossas mãos unidas às mãos de Deus.

′′ Viva hoje ′′

 


O FÓSFORO E A VELA!

 


O FÓSFORO E A VELA!

 

Certo dia o fósforo disse à vela :

─ Tenho a missão de te acender.

─ Oh, não — a vela respondeu assustada — Se me acender meus dias estarão contados. Ninguém poderá ver a beleza da minha forma e da minha cor.

O fósforo ficou confuso e perguntou à vela :
─ Prefere permanecer o resto de sua vida, fria, dura e sem ser acesa ?

─ Mas ser acesa? Arder? Isso dói e consome minha força — murmurou a vela se lamentando cheia de medo.

─ Tem razão. Mas esse é o mistério de sua vida e sua nobre missão, você e eu fomos chamados a ser luz. O que eu posso fazer como fósforo é muito pouco. Mas, ao passar o meu fogo para ti, cumpro o sentido de minha vida. Pois foi para isso que me fizeram, para acender o fogo.

─ Você é uma vela — continuou o fósforo. — Sua missão é iluminar, irradiar luz. Enquanto se consome, sua dor e energia se transformarão em luz e calor, e por isso necessitamos de ti e não iremos, jamais, esquecer-te. Outras velas levarão adiante a luz, mas se você se recusar, morrerá e será esquecida.

A vela abriu os olhos amplamente. Apontando firmemente para ao seu pavio disse ao fósforo, ainda que com voz trêmula :

─ Imploro que me acenda!

E assim, produziu uma linda chama.

E atendido o pedido, a formosa vela foi se consumindo. Feliz, entregando o seu coração ao maravilhoso destino de distribuir luz e calor para todos.

Costuma-se dizer que um grande passo para a felicidade ocorre quando descobrimos qual é a nossa missão ou chamado.

Saber quem é e qual a sua missão constitui ingrediente necessário para uma vida feliz e abençoada.

Mas nem sempre conseguimos cumprir esse chamado.

Assim como a vela, às vezes é necessário passar por experiências ruins, experimentar a dor e sofrimento para que o melhor que temos seja oferecido e que possam ser luz.

A verdade é que mar calmo não faz bons navegadores.

Os melhores são forjados nas águas agitadas,

Então, se tiver que passar pela experiência da vela, lembre-se que espalhar o Amor é o combustível que nos mantêm acesos.

Quanto mais você se alimentar dele, mais crescerá, mais iluminará.

 

Seara espiritual a Caminho da Luz.

 


EU SOU DO TEMPO... E VOCÊ?

 



EU SOU DO TEMPO... E VOCÊ?

Eu sou do tempo em que se escreviam cartas começadas por «Espero que esteja tudo bem que nós por aqui cá vamos indo.».

 Do tempo do amola-tesouras.

Das fraldas de pano.

Do tempo em que levávamos o rolo das fotografias ao fotógrafo e tínhamos de esperar uma semana para que estivessem prontas.

 

Do tempo em que, de um rolo de vinte e quatro fotografias, só se aproveitava meia dúzia.

 Do tempo em que havia cabines telefónicas por todo o lado.

Do tempo em que usávamos uma esferográfica para rebobinar a fita da cassete.

Sou do tempo em que a RTP era canal único.

Do tempo em que, sempre que havia uma avaria técnica, aparecia a mensagem «Pedimos desculpa por esta interrupção.

 O programa segue dentro de momentos.»

Sou do tempo em que «Gabriela» parava o país inteiro.

Do tempo da «Casa na Pradaria».

Do tempo em que, na escola primária, os exames eram feitos com caneta de tinta permanente.

 Do tempo em que havia aulas ao sábado.

Eu sou do tempo em que a amizade se fazia a pé.

Do tempo em que atravessávamos a cidade para chamar uma amiga. O nosso chat era o quarto, a porta de casa, a rua.

O nosso feed era atualizado nos intervalos das aulas.

Os nossos pedidos de amizade eram um olhar, um olá.

Havia os amigos, os conhecidos e os desconhecidos.

Não havia confusão e os perfis eram verdadeiros.

Ninguém visualizava as nossas perguntas e ficava sem responder.

 

Quando passávamos na rua, não podíamos ficar offline.

 Só mudar de passeio.

Quem se lembra?

 

 

 


terça-feira, 19 de julho de 2022

NOSSA MEMÓRIA...

 



NOSSA MEMÓRIA... 

 

A memória é contrária ao tempo.

Enquanto o tempo leva a vida embora como vento, a memória traz de volta o que realmente importa, eternizando momentos.

Crianças têm o tempo a seu favor e a memória ainda é muito recente. Para elas, um filme é só um filme, uma melodia, só uma melodia, ignoram o quanto a infância é impregnada de eternidade.

Diante do tempo, envelhecemos, nossos filhos crescem, muita gente parte... Porém, para a memória, ainda somos jovens, atletas, amantes insaciáveis...

Nossos filhos são crianças, nossos amigos estão perto, nossos pais ainda vivem.

Quanto mais vivemos, mais eternidades  criamos dentro da gente. Quando nos damos conta, nossos baús secretos – porque a memória é dada a segredos... estão recheados daquilo que amamos, do que deixou saudade, do que doeu além da conta, do que permaneceu além do tempo.

A capacidade de se emocionar vem daí, quando nossos compartimentos são escancarados de alguma maneira.

Um dia você liga o rádio do carro e toca uma música qualquer, ninguém nota, mas aquela música já fez parte de você... foi o fundo musical de uma amor, ou a trilha sonora de uma fossa... e mesmo que tenham passado anos, sua memória afetiva não obedece a calendários, não caminha com as estações: alguma parte de você volta no tempo e lembra aquela pessoa, aquele momento, aquela época...

Amigos verdadeiros têm a capacidade de se eternizar dentro da gente... É comum ver amigos da juventude se reencontrando depois de anos... já  adultos ou até idosos... e voltando a se comportar como adolescentes bobos e imaturos...

Encontros de turma são especiais por isso, resgatam as pessoas que fomos, garotos cheios de alegria, engraçadinhos, capazes de atitudes infantis e debilóides, como éramos há 20, 30, 40, ou 50 anos ...

A memória não permite que sejamos  adultos perto de nossos pais... Nem eles percebem que crescemos... Seremos sempre as crianças, não importa se já temos 30, 40, 50 anos...

Pra eles, a lembrança da casa cheia, das brigas entre irmãos, das estórias contadas ao cair da noite... Ainda são muito recentes, pois a memória amou, e aquilo se eternizou.

Por isso é tão difícil despedir-se de um amor ou de alguém especial que por algum motivo deixou de fazer parte de nossas vidas.

Dizem que o tempo cura tudo, mas não é simples assim. Ele acalma os sentidos, apara as arestas, coloca um band-aid na dor,,,

Mas aquilo que amamos tem vocação para emergir das profundezas, romper os  cadeados e assombrar de vez em quando

Somos a soma de nosso afetos e aquilo que amamos pode ser facilmente reativado por novos gatilhos : Somos traídos pelo enredo de um filme, uma música antiga, um lugar especial.

Do mesmo modo, somos memórias vivas na vida de nossos filhos, cônjuges, ex-amores, amigos, irmãos...

E mesmo que o tempo nos leve daqui, seremos eternamente lembrados por aqueles que um  dia nos amaram.

 

Adélia Prado – Aroma de Poesias. (Hackmey)

 

 


SOU FEITA DE RETALHOS...

 



"SOU FEITA DE RETALHOS... 

. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma.

 Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.

 Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior…

 Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade… que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa. 

E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. 

E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados… haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma. 

Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. 

Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias. 

E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de ‘nós’."

Cris Pizzimenti

MENINA... VIVE O AGORA!

 

 




MENINA... VIVE O AGORA!

Ela aprendeu a chorar com a vida.

Aprendeu a soltar as suas lágrimas quando o coração se sentia oprimido.

 Quando lhe faltava algo, ou então quando lhe sobrava sofrimento. Foi desta forma que a vida a obrigou a crescer.

Foram as lágrimas que lhe ensinaram o que era viver.

Ela chorou pela primeira vez, quando sentiu medo.

Naquele dia, em que lhe faltou o colo durante todas as horas do dia. No dia em que a vida lhe disse para dar os primeiros passos, sozinha. Quando lhe mostrou que a vida é um trapézio sem rede, em que ela tinha que se arriscar a caminhar.

 Era preciso ter ousadia e não medo de cair.

Não podia estar à espera de ter sempre dois braços, que lhe amparassem as quedas. Que lhe curassem as feridas ainda antes delas existirem de verdade.

Ela chorou a primeira vez, ainda antes de ter conhecido a dor.

Chorou com o sabor do medo, porque percebeu que a vida não era só sonhos.

 Que os dias não eram eternos e que as noites também existiam.

 Afinal, o sol também tinha que dormir e a lua aproveitava essas horas para brilhar.

 E, por vezes, a lua até espreitava, sem ser notada, oculta na sombra do sol.

Naqueles dias, em que nem sequer a vemos e, depois, à noite apenas existem as estrelas.

 Tudo isso era viver.

 Na sua vida aos dias sempre se sucederiam às noites, e as noites sempre precederiam os dias.

Ela provou o sabor das lágrimas e acabou por se habituar.

Ela habitou-se a viver refugiada entre os sonhos, que lhe criavam a ilusão e a realidade, que por vezes se tornava num mar de lágrimas. Vestiu-se de sofrimentos.

Alimentou-se com choro que a embalava em tantas noites, que ela pedia para não existirem.

Ela provou o sabor das lágrimas e julgou que aquele era o caminho certo para seguir o seu destino.

Esqueceu que existiam sonhos coloridos.

Deixou de escutar a voz da esperança.

Desligou o som do amor.

Cruzou os braços perante a imaginação.

Virou as costas ao futuro e o coração continuou no passado.

Deixou que lhe desenhassem feridas na alma.

 Ergeu uma muralha à volta do seu coração.

 Prometeu que não voltaria a sentir amor.

Deixou de existir. Tornou-se num fantasma vivo.

 Alguém que ninguém via.

Alguém que apenas sofria.

E, num desses dias, a vida que lhe tinha ensinado a chorar disse-lhe que era tempo de ela parar.

A vida disse-lhe que estava farta de a ver a chorar.

 Tinha saudades do seu sorriso.

 Estava sufocada com aquele muralha que existia entre elas.

A vida ordenou-lhe que tinha que viver.

Era chegada a hora de ela soltar o amor que vivia dentro dela.

O amor que já não lhe cabia no coração.

 O amor que pedia para ser dividido com alguém.

A vida disse-lhe seca essas lágrimas.

Arregaça as mangas e faz-te à vida.

Despe-te desse sofrimento.

Fica nua.

Saí dessa rua e vai para a estrada principal.

 Leva o teu sorriso, que eu guardei durante todo este tempo.

Agora, sorri e vive!

Essa é a próxima etapa da tua vida.

O choro é coisa do passado.

Deixa-o ficar guardado naquela gaveta, onde guardas tudo o que já passou e te fez ser quem és.

 Ele já não te pertence, tal como não te pertence esse passado que não podes mudar, mas que te moldou.

Vive!

E não te esqueças: usa e abusa do teu sorriso.

 Esse sorriso que, por sinal, é tão bonito e te fica tão bem.

 

@angela caboz