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quarta-feira, 1 de maio de 2024

NO PORTAL...!

 





NO PORTAL…!


Mas sei que no final desta viagem, encontro a alva coroa que a vida concede aos anônimos heróis no final do caminho.
Mas sei que no final desta viagem alcançarei a flor sagrada que os ébrios Peregrinos buscam debalde nos desertos desta vida.
Ouço música longínqua. São acordes das estrelas que minha Alma sedenta dedilha na amplidão.
Tenho que ir. Estou nos umbrais do Templo. Agora estou na Primeira Câmara, mas me parece uma sala de passos perdidos.
Mas na minha Alma há prenúncio de sonhos. Ouço música longínqua, música das esferas, falando de Amor profundo. É meu Ser Interior que canta. É a eterna melodia que embala as Almas peregrinas.
Ah, eis a Medalhista! Que suave figura! Um ar de mistério em todo seu redor. Seus olhos são os olhos de quem conhece o Infinito. Ela veio das extensas regiões centrais do Templo, a mando do Mestre. Veio preparar-me para a Grande Viagem. É a mensageira do Mestre a indicar-me ternamente o longo Caminho.

O Templo, com todo o seu esplendor e mistério é meu Grande Além de dentro. Aliás, o Templo é tudo o que existe. Representa o Universo com a Morada Eterna de Deus.

Aqui vim em busca do Mestre, o Mestre Interior. Sereno e suave Soberano destes confins, a flor Sagrada dos peregrinos.
O Leste… é de onde vem a Luz, a consciência de Deus. Saúdo-o, unindo minha limitada consciência à imensurável Mente Divina.
Aqui é a terra do Mestre e o Mestre é Deus!

Agora é a Paz Profunda dos Alados que completam sua missão. Encerro aqui minha viagem em busca da flor sagrada dos Peregrinos. Sou agora um dos Ritmos Cósmicos atuando consciente na grande Harmonia Universal.


AMIGOS... SÃO!

 



AMIGOS... SÃO!

AMIGOS são afetos que entregamos naturalmente, sem pedir as trocas.

AMIGOS são grutas escavadas nas montanhas onde abrigamos a alma no descanso.

Não se escolhem os AMIGOS, eles surgem do reflexo de almas que se atraem e mesmo divergindo, se entrelaçam no apoio que desmancha a solidão.

Mas para ser AMIGO, tem de ser sincero, mesmo guardando seu segredo da alma e mesmo respeitando o que o outro esconde.

Nas horas mais difíceis ser presente...

Presente sempre em seus momentos alegres, no afeto disponível de um irmão.

AMIGO é verdade e razão, sonho e sentimento.

AMIGO é pra sempre, mesmo que o sempre não exista...

Vocês são tudo isso, meus queridos AMIGOS!


SACUDIDA... PELO VENTO!

 



SACUDIDA PELO VENTO…!


O vento não me sacode, nem me tira o sorriso.

Uma tempestade forte sopra lá fora, mas não é suficiente para me empurrar, nem para me roubar a memória do tempo que voa à frente dos meus olhos.

A vida são esses momentos únicos que só valorizamos quando se tornam lembranças. São segundos em que o grito das emoções se continuará a fazer ouvir por tudo o que ficou no lado de dentro, onde poucos conseguem chegar.

Viver é raro, a maioria de nós limita-se a sobreviver e sonhar com esse diamante a que todos chamamos felicidade. A felicidade que é tão rara e que passa por nós tão veloz que por vezes nem sequer temos tempo de lhe sentir o cheiro.

A vida são todos os momentos que nos arrepiam a pele num breve instantes, que quando tentamos tomar-lhe o gosto perceberemos que durou algumas horas. Durou o tempo suficiente para que não mais o tenhamos esquecido. Tudo o resto são preces que fazemos ao destino pedindo-lhe para que nos empreste uma gotas dessa felicidade para que o sorriso ganhe brilho e o coração cante a sinfonia do amor que nos faz ver tudo de outra cor.

Vivemos nessa penumbra, onde a luz quase não entra e cortina dos sonhos tapa tudo com a ilusão de um futuro que não sabemos se irá chegar.

O vento não me sacode o que me abana é pensar no que deixo de viver.


EU... E A FORMIGINHA!

 



EU… e a FORMIGUINHA!


Muitas vezes, de onde menos se espera recebemos uma lição de vida. Estava sentado na porta de casa e vi uma formiguinha carregando uma folha que deveria ter no mínimo 20 vezes o seu tamanho e peso.

Fazia aquela tarefa com muita dificuldade, empurrando ou carregando sobre a cabeça.

Por vezes, o vento derrubava a formiga e a folha. Foram muitos os tropeços e recomeços.

Pensei em interferir ajudando de algum modo. Mas como? Talvez, se agisse, eu poderia até mesmo dificultar ainda mais o trabalho dela.

Resolvi continuar observando.

Os empecilhos que ela encontrou não foram suficientes para lhe provocar desanimo.

Por fim, alcançou um pequeno buraco que supus ser a porta do seu habitar. Que ser formidável, pensei.

Quanta obstinação.

Na verdade, ela apenas tinha acabado uma etapa do seu trabalho.

A folha era muito maior do que a entrada do formigueiro e ela precisava colocá-la para dentro.

Então, ela largou a carga ali fora e entrou.

Na hora pensei no velho ditado popular: “Nadou, nadou e morreu na praia.” Surpreendentemente, um batalhão de formigas surgiu do buraco, começou a desmembrar a folha em pequenos pedaços e transportá-los para o seu interior.

Pareciam estar alegres e em pouco tempo todos os pedaços da folha e as formigas desapareceram.

Tudo acabou.

Porém, continuei sentado ali na porta de casa absorto e a refletir sobre aquele ensinamento.

Quantas vezes desanimamos diante do tamanho da tarefa ou dificuldade? Quantas vezes nos falta persistência, força e determinação?

É muito comum acharmos que recebemos um fardo maior do que podemos suportar.

Agradeci a Deus por ter colocado a formiguinha na minha porta para mostrar que sonhos não morrem, apenas adormecem na alma da gente aguardando para ser realizado.

Reflita isso!



VENHO... SIM! MAS DE ONDE?

 





VENHO… SIM! MAS… DE ONDE?


" Venho de um tempo em que as pessoas se compreendiam com um Olhar.

De um tempo que não era proibido sonhar!

Tocar a alma era permitido e o Amor sempre se fazia presente.

Um tempo em que tínhamos tempo para admirar o pôr-do-sol, deitar na grama, mergulhar no rio, sorrir sem motivo e amar sem razão…

Um tempo em que a Vida era Vida de Verdade!

Sou alma antiga que nos dias de hoje anda perdida e que procura na Noite, na Lua, nas Estrelas, na Poesia, uma esperança de que o passado de alguma forma ainda sobrevive, mesmo que nas sombras"

PERGUNTEI... SIM!

 



PERGUNTEI SIM!


Perguntei ao mar que estava tranquilo e sereno:

De onde eu vim?

Ele me respondeu que assim como as ondas que vão e vem, eu também já estive aqui várias vezes e como o próprio mar eu nasci como pequeno fio d'água e fui me transformando em riacho,

me juntei a outros fios d'água e virei um rio que um dia vai se encontrar com o mar, pois todos nós viemos e voltaremos para o mesmo Criador.

Perguntei ao vento que suavemente tocou o meu rosto:

Para onde eu deveria ir?

O Vento respondeu que eu deveria seguir sempre em frente, mas avisou que durante o meu caminho eu iria encontrar montanhas difíceis de se transpor,

outras correntes mais fortes e fenômenos da natureza que nem sempre me seriam favoráveis.

Com todas as dificuldades o meu caminho é seguir em frente sempre, que não iria me faltar ajuda nessa caminhada e no fim da estrada eu encontraria o meu destino.

Perguntei ao pássaro que ali passava:

Com o que eu deveria me preocupar para ser feliz?

Ele me respondeu que deveria ser com o dia de hoje.

Que o dia de ontem não poderia ser modificado e o mesmo nos serviria como placa indicando um caminho.

Lembrou-me que o amanhã pode não chegar e carregar nossos planos.

Carregue apenas o que puder levar na grande viagem, seu caráter, sua doçura, seu esforço, sua capacidade intelectual e sua moral.

Perguntei então a grande nuvem no céu

Para onde eu iria depois da minha jornada?

Ela me respondeu que todos os dias,

nós construímos uma escada com nossos atos e pensamentos.

Essa escada é exatamente do tamanho do lugar que podemos e merecemos alcançar.

Quanto mais o bem praticares, mais alto te levará essa escada, disse a nuvem com sabedoria.

Eu olhei de novo para o céu, e parece-me ter visto uma grande mão me acenando, senti-me pequeno diante da grandeza do Universo, mas, enorme diante da bondade de Deus.

E foi assim que eu aprendi a construir e viver um dia de cada vez e assim, a vida fica mais leve e feliz.



OS MEUS EUs...

 




OS MEUS EUs…


Tenho andado de mãos dadas com um Eu que não é meu…

Só quando encontrei o meu Eu é que me senti amada…

Por imposição me moldei, por amor me transformei…

Tenho andado de mãos dadas com nada caminhamos na mesma estrada…

E nunca me cruzo comigo, o EU que fui nunca se cruzou com o Eu que agora sou…

São dois Eus tão antagônicos que tão pouco têm em comum de tão contraditórios…

Nem eu sei se gosto de algum, ambos têm coisas boas e também coisas ruins…

Um cheio de jovialidade outro pleno de saudade…

Um sente com o coração o outro vive da razão…

A nenhum posso dizer não … pois complementam-se na perfeição…